O discurso de Tomada de Posse do Presidente da República fica necessariamente marcado por um apelo patente e expressivo ao "sobressalto cívico" dos portugueses, particularmente dos jovens.
A sua análise clara e incisiva, com um rol de recados de fácil compreensão deixados à classe política da qual também é parte integrante há longos anos, revela um manifesto distanciamento dos partidos e seus quadros relativamente ao comum cidadão.
É evidente aos olhos das pessoas que "muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático".
É real que na vivência social e política quotidiana raras são as escolhas "pautadas exclusivamente por critérios de mérito", revelando-se outros factores como determinantes para a nomeação, promoção ou decisão.
É imperioso que os portugueses não sejam "uma estatística abstracta" e que a pessoa humana esteja "no centro da acção política".
No entanto, não decorre do discurso de Tomada de Posse uma visão clara de futuro, uma alternativa à práxis actual, um outro rumo a seguir, apesar do correcto diagnóstico efectuado.
O mais alto representante do estado não pode, após preocupante e exaustiva avaliação, alhear-se das suas responsabilidades e limitar-se a apelar a um "sobressalto cívico" já sentido na comunidade.
Os jovens e a sociedade em geral estão a fazer a sua parte mas o Presidente da República tem, decididamente, que assumir as suas responsabilidades, propósitos e convicções, fazendo o que lhe compete com vista a uma solução equilibrada, madura e capaz que todos buscamos...
... pelo superior interesse das Pessoas, do País, de Portugal...
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